quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vazamento de óleo pode prejudicar rotas de animais na costa do ES

Mancha de óleo pode estar na rota de pinguins, baleias e golfinhos.
Vazamento que aconteceu no Rio de Janeiro pode chegar ao Espírito Santo.

Do G1 ES
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O vazamento de óleo que atingiu o mar do Rio de Janeiro, e que pode chegar à costa do Espírito Santo, deixa os biólogos capixabas em estado de alerta. A mancha no mar pode estar na rota de animais marinhos, como golfinhos e baleias. Além disso, os pinguins que chegaram ao estado neste ano, e que foram devolvidos ao mar no último mês de outubro, também podem ser atingidos pelo vazamento.

"Estamos preocupados e em estado de alerta, porque onde está a mancha há uma rota usada por baleias e golfinhos. Estamos fazendo um monitoramento nas praias, principalmente do Sul do estado, para ver se ocorre encalhes", conta o biólogo Alexandre Charpinel, do Instituto Orca.
A situação dos pinguins que foram soltos em mares capixabas em outubro aparentemente é menos preocupante que a das baleias e golfinhos. "Pelo que tem sido divulgado, o vazamento está em alto mar. A rota que planejamos para os pinguins leva em conta que a corrente os mantenham mais próximos da costa. Mas mesmo assim, estamos atentos, porque não sabemos a rota exata que eles estão fazendo. A esperança é de que eles não sejam atingidos", explica Renata Bhering, bióloga do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM).
Pinguins ficaram sob os cuidados do IPRAM no Espírito Santo (Foto: Divulgação / IPRAM)Pinguins ficaram sob os cuidados do IPRAM no Espírito Santo (Foto: Divulgação / IPRAM)
Vazamento
O vazamento de óleo teve início no último dia 8 durante atividades de perfuração no Campo de Frade, a 120km da costa do Rio de Janeiro e a uma profundidade de 1.200 metros. Segundo os especialistas do Inea (Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro), uma parte do óleo sobe para a superfície do mar e evapora. Já a outra parte, um óleo mais grosso, fica no fundo do mar, e se agrupa em pelotas. De acordo com os técnicos, este óleo, que fica com forma parecida com piche, poderia chegar à costa do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo.
Entretanto, especialistas do Inea dizem que a chegada do óleo vai depender das condições climáticas, que, neste momento, estão colaborando, já que o vento está soprando para leste, na direção oposta a da costa brasileira. Se o vento mudar, o óleo pode chegar nas praias.

Presidente da Chevron pede 'desculpas' por vazamento


Segundo ele, problema foi contido; ANP diz ainda ver 'vazamento pequeno'.
Retratação foi à 'população e ao governo brasileiro' por acidente no Rio.

Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
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O presidente da Chevron, George Buck, durante audiência na Câmara. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)O presidente da Chevron, George Buck, durante
audiência na Câmara. (Foto: José Cruz/Agência
Brasil)
O presidente da petrolífera norte-americana Chevron, George Buck, pediu nesta quarta-feira (23), em audiência pública na Câmara dos Deputados, "desculpas" aos brasileiros e ao governo pelo vazamento no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Ele disse que a empresa norte-americana foi eficiente em conter o vazamento de petróleo, iniciado há duas semanas.
“Peço sinceras desculpas à população brasileira e ao governo brasileiro. Peço também desculpas por não me expressar em português. [...] Esperamos continuar sendo parceiros do Brasil para fazer jus ao destino do país de se tornar superpotência”, disse.
Ele afirmou que a empresa conseguiu conter o vazamento. “No dia 13 de novembro, quatro dias depois de identificar fissuras, conseguimos interromper o vazamento da fonte”, declarou.
Buck afirmou que a prioridade da empresa Chevron ao detectar o vazamento de óleo foi proteger os profissionais que trabalhavam na plataforma e evitar prejuízos ao meio-ambiente.
“Assim que entendemos que havia um incidente, eu estabeleci as prioridades para a nossa atuação. A primeira prioridade foi proteger as pessoas dentro e em torno da operação para que ninguém sofresse ferimentos. Minha segunda prioridade foi proteger o meio-ambiente”, disse.
O executivo ressaltou que a extração de óleo onde houve o vazamento foi interrompida em quatro dias. “A terceira [prioridade] foi interromper a produção da fonte com a maior rapidez e eficiência. Nós o fizemos em quatro dias. A outra prioridade foi controlar a mancha na superfície do mar. Estamos cientes da gravidade da situação e assumimos a responsabilidade”, disse.
O coordenador de segurança operacional da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Raphael Moura, afirmou durante a audiência que ainda há vazamento na Bacia de Campos e não apenas de "óleo residual". “A ANP identificou vazamento pequeno, mas fluindo”, disse.
Moura disse que é preciso garantir que o poço seja cimentado em definitivo. "A companhia é inteiramente responsável pelo incidente e precisa responder por isso. A prioridade é cimentar definitivamente esse poço para que haja fiscalização minuciosa."
Investigação
Buck afirmou que a Chevron vai investigar o vazamento e divulgar os resultados. “Vamos investigar esse incidente, vamos compartilhar esses resultados com o povo brasileiro para assegurar que isso não se repita aqui nem em qualquer outro lugar do mundo”, disse. Ele voltou a dizer que a perfuração Campo de Frade foi mais profundo do que deveria.
"O equipamento e o pessoal da Transocean [empresa que atua junto à Chevron na extração de petróleo] agiu de forma perfeita [no controle imediato do vazamento]", disse.
Segundo ele, especialistas de todo o mundo avaliam que a resposta da empresa foi satisfatória. Ele também afirmou que o vazamento não resultou na morte de animais.
“Temos muitos especialistas pelo mundo que garantem que reação foi com rapidez e eficiência excepcionais. Interromper fonte de vazamento, nós conseguimos fazê-lo. Conseguimos controlar a mancha e proteger o meio-ambiente e, baseada nas nossas observações, não houve dano à vida selvagem”, afirmou.
De acordo com o presidente da Chevron, sobrevoo realizado pela empresa nesta terça-feira (22) detectou que apenas o equivalente a três barris de petróleo permanecem na superfície do mar. Segundo ele, no total, deve ter vazado da Bacia de Campos o equivalente a 2,4 mil barris.
MultasQuestionado se pagaria as multas impostas pelo Ibama pelo vazamento, o presidente da Chevron, George Buck, afirmou que a empresa “respeitará” a legislação brasileira. Até o momento, a petrolífera recebeu multa de R$ 50 milhões pelo incidente.
“No tocante às multas, a Chevron vai respeitar a lei e a regulamentação brasileira. Trata-se de um valor fundamental da empresa”, afirmou.
Buck disse ainda que demorou a transmitir informações sobre o vazamento de óleo à Petrobras porque teve problemas com a velocidade da banda larga brasileira. “No início desse incidente tivemos dificuldade com a banda larga para a transmissão de dados. Todos os segundos de dados estão disponíveis”, disse.